O capitalism climático venceu em Cancún – o resto do pessoal perdeu, artigo de Patrick Bond, no Africa 21. Ideias-base:
- O acordo assinado em Cancún foi considerado pelos media do sistema uma vitória, um passo em frente e muito se espera da próxima cimeira de Durban no próximo ano. Mas esta esperança baseia-se no renascer de estratégias de mercado, o que, de facto, tem falhado onde tem sido aplicado.
- Evo Morales, presidente da Bolívia pôs o dedo na ferida ao afirmar: “É fácil para quem está numa numa sala com ar condicionado continuar a apoiar políticas de destruição da mãe natureza. Em vez disso, precisamos de nos colocar na pele dos bolivianos e do mundo inteiro a quem faltam água e comida e que sofrem de fome. Aqui em Cancún não temos a mínima ideia do que é ser vítima das alteraçoes climáticas”.
- Para Pablo Solon, embaixador boliviano das NU, Cancun representa um recuo porque os compromissos assinados não obrigam à redução de emissões em cerca de 15% até 2020 e isso não vai estabilizar a temperatura ao nível considerado sustentável para a vida humana e para a vida do planeta.
- A maior parte dos especialistas considera o acordo pouco ambicioso porque uma subida de dois graus centígrados representa o degelo dos glaciares dos Andes e dos Himalaias, a inundação de zonas costeiras do Bangladesh, a submersão de pequenas ilhas, secas em África e o aumento da desertificação.
- Políticos e técnicos estão reféns de poderosos interesses de negócios e por isso estão cada vez mais afastados dos cidadãos. Muitos países pobres foram vítimas de muita pressão e de estratégias tipo dividir para reinar a ponto de terem mudado radicalmente de atitude em relação a Copenhagen e aceitado elevadas quantias para fazer o jogo dos grandes, como a WikiLeaks revelou.
- Os direitos dos indígenas e das comunidades que vivem em florestas não foram salvaguardados porque o novo conceito de floresta esmaga o de floresta antiga e o conceito de gestão sustentável da floresta significa abate comercial de árvores. Diz-se que o REDD vai mobilizar milhares de milhões de dólares para proteger florestas via comércio de créditos de carbono para as indústrias continuarem a poluir em vez de reduzirem as suas emissões, e isto é absurdo.
- O Banco Mundial, que coordena os apoios, não merece a confiança de muitos países uma vez que o seu modelo de crescimento baseia-se na extração de recursos, na privatização da energia e na liberalização do mercado de carbono.
- O mercado de carbono devia ser desativado por ser fonte de currupção, sofrer volatilidade periódica, e fomentar preços tão baixos que não atraem investimentos para as renováveis e para transportes mais eficientes. No fundo, porque faz com que, para a indústria, seja muito mais fácil continuar a poluir do que reestruturar.