Blogue de informação e reflexão sobre temas ambientais. Desde Janeiro 2004, porque só os peixes mortos seguem com a corrente.
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Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Espinho já tem túnel para comboios


                   Espinho
  • Os comboios passaram a circular em túnel na malha urbana de Espinho. É a obra do século, farta-se de repetir José Mota, o grande autarca local. Uma obra cujos pormenores foram sistematicamente omitidos e escondidos dos munícipes durante todo o tempo que durou. Nem sequer a Associação Cívica logrou obter informações substanciais em tempo útil. Os media locais e regionais contentaram-se com migalhas informativas oferecidas com parcimónia em timings oportunos para alguém que não os comerciantes, que se queixaram amiúde. A linha agora enterrada terá sido deslocada para poente para permitir a implantação de um parque de estacionamento a nascente, sob a Rua 8. Presume-se que este pormenor não fazia parte do projecto inicial, uma vez que nunca foi referido pela Refer nem propagandeado pelo grande autarca local. Por isso o aparecimento inesperado de rocha dura foi impingido como desculpa esfarrapada para o atraso da obra anunciado em Janeiro de 2006. Agora que a obra a cargo da Refer acabou, o grande autarca local não poderá atribuir a terceiros as responsabilidades de eventuais descobertas inesperadas de mais rocha dura algures nos espaços que diz que vai requalificar e que agora classifica como “O Vazio”.  Para já, nesse vazio, e na impossibilidade de convidar um clone de Marilyn Monroe para recriar a famosa cena da saia que esvoaça com o bafo que sobe da passagem do Metro em Nova York, José Mota vai lançar um concurso para pintar os seus órgãos eólicos, que nada têm a ver com estes, que tinham objectivos bélicos. O grande autarca local sabe que as nortadas são por vezes fortes e prolongadas em Espinho e os seus órgãos eólicos foram especialmente construídos para locupletar aquele vazio. E já se perfilam alunos finalistas das artes decorativas, patrocinados por sonantes marcas de tintas, para os pintar de verde e amarelo, as duas cores iconográficas de Espinho. Só depois de devidamente inaugurados poderão estes órgãos eólicos dar concertos. Idealizados no atelier de um criativo local e produzidos por um funileiro de renome, estes órgãos eólicos irão prodigalizar peças especialmente dedicadas a trombone, tuba e baixo, garante-nos um maestro local. Entretanto, um compositor local já fez questão de manifestar a sua desilusão perante tamanha tacanhez de horizontes sonoros uma vez que lhes faltam, sobretudo, tubos que possam imitar trompas e fagotes. Para remediar a situação, sugere a adjudicação de trabalhos a mais a outro funileiro que acrescente tubaria mais estreita para a produção de sons mais agudos. Quem sabe se depois Santana Lopes não aceitaria de bom grado o convite para vir cá ouvir versões adaptadas dos nocturnos de Chopin?
  • A propósito da posta acerca da multa de 7.000 euros aplicada à Junta de Freguesia da Ericeira por lesar o Estado ao utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo, recebemos do Presidente daquela autarquia o seguinte email, que transcrevemos na íntegra: “Ofício: 854/2008, Assunto: AGRADECIMENTO, Após a recepção do e-mail da parte de V. Exa., vimos informá-lo de que a Junta de Freguesia da Ericeira muito se congratula com o seu apoio, que desde já agradecemos. Posto isto, mantemo-nos receptivos a ceder quaisquer outras informações que sejam também do seu interesse. Com os melhores cumprimentos O Presidente. Joaquim José Alexandre Casado”
  • O rei Carlos XVI Gustavo, acompanhado pelo ministro do Ambiente e uma delegação de empresários suecos, está de visita a Portugal para negociar projectos de cooperação na área das energias renováveis.
  • A solha e a faneca estão a desaparecer do rio Tejo, em busca de águas menos aquecidas pelas alterações climáticas, enquanto espécies até agora quase inexistentes, como o sargo do Senegal, chegam cada vez em maior abundância.
  • A produção de biocombustíveis deve ser abandonada, defende Jorge Paiva o ambientalista e catedrático aposentado da Universidade de Coimbra.
Publicado por OLima às 00:32
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1 comentário:
De OLima a 25 de Outubro de 2012 às 22:45
"Onde andam os cinco milhões de euros que foram deixados de lado para a requalificação desta obra?" pergunta José Mota no Maré Viva de 24out2012. "Passados três anos e continua tudo assim, parado no tempo", continua. "A Câmara nem sequer reivindica [2 passagens aéreas para peões e uma subterrânea para automóveis, contratualizadas com a REFER] Os senhores que estão na Câmara nem sequer levantam o rabinho da secretária para ir a Lisboa bater à porta dos ministérios exigir que resolvam problemas que estão obrigados por contrato a fazer", concluiu o ex presidente da autarquia durante 16 anos.

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