Mentiras ignoradas: jornalismo como propaganda, por John Pilger. Argumentos do jornalista expostos em Junho, na Socialism 2007 Conference de Chicago:
(1) o jornalismo profissional foi inventado há 80 anos e logo começou o mito do equilíbrio, da objectividade e da imparcialidade para atrair publicidade; (2) para garantir o seu profissionalismo, os jornalistas tiveram e têm que garantir que as notícias e as opiniões têm que ser controladas por fontes oficiais; por exemplo, depois do lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima, e contrariando as reportagens de Wilfred Burchett que, rompendo o bloqueio informativo imposto pelo General Douglas MacArthur descrevia a destruição total, W.H. Lawrence fez o frete de se deslocar ao Japão para minimizar, numa série de artigos, os efeitos catastróficos da bomba atómica, merecendo, por isso, a atribuição do prémio Pulitzer; (3) os princípios da imparcialidade e da objectividade como alicerces do profissionalismo defendido pela BBC revelaram-se princípios a suspender sempre que o sistema esteja ameaçado; (4) a BBC foi, ironicamente, usada pela secreta MI6 para difundir falsas informações acerca do potencial bélico de Saddam, porque os próprios profissionais da BBC poderiam ter produzido o mesmo resultado; (5) a linguagem dos media é usada para normalizar o impensável; (6) o segredo para furar este esquema contaminado é colocar as questões certas na hora certa, como o fez o editorialista do New York Times de 24 de Agosto de 2005; (7) Pilger aprendeu a lição quando, nos anos 70, entrevistou o escritor checo e este lhe disse: “Nas ditaduras temos mais sorte do que vocês do Ocidente. Não acreditamos em nada do que lemos nos jornais ou vemos na televisão porque sabemos que é tudo propaganda e mentira. Ao contrário de vocês, já aprendemos a ultrapassar a propaganda e a ler entre as linhas, e também sabemos que a verdade real é sempre subversiva.” (8) o jornalista “embedded” foi introduzido depois de se ter aceite a teoria de que a reportagem crítica tinha provocado a derrota da América no Vietname; (9) nenhum dos 649 repórteres colocados no Vietname se referiram ao massacre de My-Lai ocorrido no dia 16 de Março de 1968 e apenas Daniel Ellsberg e Seymour Hersh o fizeram, na América; (10) os filmes de Hollywood sobre a guerra do Vietname foram uma extensão do jornalismo: normalizaram o impensável; (11) Pilger fez e ofereceu um documentário (Year Zero: the Silent Death of Cambodia) à PBS, que se disse chocada por ele dizer que a América tinha preparado o caminho para as atrocidades de Pol Pot; (12) Tony Blair já empurrou o Reino Unido para a guerra mais vezes do que qualquer outro primeiro-ministro da era moderna; (13) os Talibans foram parceiros secretos da gigante petrolífera Unocal na construção do oleoduto que atravessa o Afghanisthan; (14) os russos já compreenderam que o objectivo do alegado escudo defensivo americano é subjugá-los e humilhá-los, mas os media ocidentais acusam Putin de estar a começar uma nova Guerra Fria e omitem o desenvolvimento do Reliable Weapons Replacement (RRW), o sistema nuclear americano destinado a disfarçar a diferença entre guerra convencional e guerra nuclear; (15) nas universidades, nas escolas de jornalismo, nas redacções, professores de jornalismo, jornalistas, precisam de quebrar este silêncio imposto por um sistema que fala de uma objectividade de treta.


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