Após dois anos de pré-negociações, os decisores concluiram que a única maneira de resolver a crise climática é fazer do carbono uma mercadoria e privatizar a atmosfera, diz Stephen Leahy, que entrevista dois dos participantes no Klimaforum09, cimeira paralela à de Copenhagen. Estes avisam que os decisores vão fazer a mesma coisa em relação água para resolver a crise da água. O Uruguai aprovou uma reforma constitucional que dá prioridade ao direito à água e que proíbe a sua privatização e, com a Bolívia, tentou, em vão, introduzir este tema na cimeira de Copenhagen. Os países ricos tudo fizeram para omitir os temas da água, da terra e da biodiversidade porque só estão interessados em energia e em finanças, diz Riccardo Petrella, fundador do International Committee for the World Water Contract. Querem privitizar a água para depois a venderem como vendem telemóveis, acrescenta Maude Barlow, do Council of Canadians. Não é por acaso que andam a comprar terras e direitos de água, como a India e a China estão a fazer em África. Se a água se tornar uma mercadoria, muitos agricultores passarão a vender água em vez de comida porque isso lhes dará mais dinheiro. Barlow elogia o estado americano de Vermont pelo facto de a sua constituição garantir o direito do povo à água. E Petrella conclui: a comercialização do carbono e a privatização da atmosfera vão provocar grande conflito e devastação. IPS.


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